Paulo Milreu – Mentor, Coach, Consultor, Palestrante, Professor, Empresário e Empreendedor

O desafio de liderar uma entidade no interior paulista

O desafio de liderar uma entidade no interior paulista

Em 2009 eu reuni alguns colegas empresários do setor de internet para discutir a criação de uma associação do nosso setor na região de Bauru. Eu já tinha tentado mobilizar empresas de internet em 2000 pouco antes da bolha estourar e não tive sucesso.

Pra entender um pouco mais é importante falar da região de Bauru. Somos realmente o interior do estado de São Paulo, ponto. Isso é porque sempre ouço alguns falarem que Campinas e Jundiaí também são interior, blá blá blá. Bom, pra quem é de Jundiaí e Campinas eu convido a passar uns 3 meses em Bauru pra entender o que é interior. 🙂

Estamos no centro oeste paulista, termo cunhado pela mídia e que na época fui pesquisar para entender se realmente existia como região administrativa do estado ou geografia. Nada! Realmente um termo que a mídia cunhou e ficou. Essa região tem uns 3 milhões de habitantes em um raio de 200Km e tem características fantásticas para se viver e empreender. 

Claro, é importante entender que empreender no interior é se adaptar. É compreender que o tempo de resposta é diferente, que as decisões levam em conta outros aspectos do relacionamento humano (sim, se você é indicado e é da região é melhor recebido) e também o volume negociado em um trabalho é outro (muito menor que na capital, muito mesmo).

Bom, mas voltemos à entidade. Depois de 8 meses de reuniões e papos com esses colegas, entra um, sai dois, e ficamos em um grupo de 5 pessoas para fundar a ACOPADi – Associação Centro Oeste Paulista das Agências Digitais, uma regional da ABRADi – Associação Brasileira das Agências Digitais.

Na época das reuniões decidimos por outro nome, descobrimos uma entidade estadual, mantivemos contato, não avançou (era o papo de que Bauru era como Campinas e Jundiaí), e com a grande ajuda dos amigos Rodrigo Almeida e Jonatas Abbott da Dinamize (empresa que hoje sou sócio), obtivemos o apoio incondicional (isso mesmo: incondicional) da ABRADi, na pessoa ilustríssima do seu diretor executivo Alexandre Gibotti (hoje um ótimo amigo). E as coisas avançaram, passamos a usar o logotipo padrão da ABRADi, recebemos modelo de estatuto e ata de constituição, e finalmente em outubro de 2009 fundamos a ACOPADi. Ufa!

Queríamos começar com “pé direito” e nos apresentar ao mercado e para isso realizamos um coquetel de lançamento onde inclusive tivemos a presença do Gibotti em Bauru. Para nossa surpresa tivemos quase 100 pessoas presentes no salão da associação comercial.

gibotti-acopadi O desafio de liderar uma entidade no interior paulista
Alexandre Gibotti, diretor executivo da ABRADi, no lançamento da ACOPADi.

E aí então começa a funcionar a entidade. E também os desafios.

Uma entidade precisa de uma estrutura mínima, precisa de telefone, precisa de secretaria, computador, internet, e isso vai sendo provido pela estrutura da minha agência digital na época. Mas é mais que isso.

Primeiro é preciso mobilizar a própria diretoria, continuar mostrando que nosso papel é importante o mercado e é preciso despreendimento para atuar independente dos nossos interesses empresariais. E isso demanda tempo. E tempo é hoje o que o pequeno empresário menos tem, atolado pelas suas atividades operacionais.

A cada mês o desafio pra realizar as reuniões executivas, levando os diretores a sentar na mesma mesa e discutir a pauta da entidade.

Mas que pauta? Tá aí outro problema: o que vamos discutir mesmo?

É preciso pensar na missão da entidade e buscar executá-la. O que temos que fazer? Qual nosso papel? Com quem devemos falar? Como vamos ampliar a atuação da entidade?

No fim acaba sendo o esforço de 1 só. Ou de 2. Acaba “sobrando” para você, aquele que tem mais esse espírito e despreendimento.

Não é fácil “realizar” em uma entidade. É mais simples na sua própria empresa, onde as decisões são mais rápidas e seu foco é resultados. Na entidade isso se dispersa.

E o mais surpreendente é se comunicar por e-mail numa entidade de agências digitais. Pois é, as respostas demoram (sei como é isso, hoje são as minhas que demoram). Eu entendo, cada um com sua empresa, suas atividades, seus desafios profissionais, e a entidade fica pra trás.

Mas, vamos de novo. Retomamos, tentamos criar um novo fato, um evento, uma “aparição” na mídia, uma notinha no jornal. Temos que nos fazer presente, temos que mobilizar as empresas do nosso segmento, temos que melhorar o mercado.

São vários desafios. E só quem está dentro compreende. Por isso, quem está fora apenas crítica (e é assim em todos os aspectos de nossa vida quando críticamos também o governo).

Em dezembro de 2009 já estavamos com 8 associados, e atingimos 16. Alguns novos entraram, mas outros saíram. Não compreenderam que é tempo de investir e participar, ajudar, colaborar. Talvez queriam apenas receber. Muito comum.

Hoje a entidade está em sua 2a. gestão, fui reeleito, chapa única, tenho que dar continuidade na entidade, ela precisa crescer. Hoje temos uma diretoria mais atuante, mais interessada, e estou acreditando muito numa sucessão que irá levar a entidade a um novo patamar de atuação regional. Isso é muito bom!

Passo a frente em 2013 uma entidade ainda em estruturação, mas acredito muito que contribuímos para um mercado melhor e ainda temos grandes desafios para nosso interior.

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