Como os blogs se relacionam com o jornalismo?

Respondi hoje uma “entrevista por e-mail” sobre esse assunto, para o Matheus Caselato, estudante de jornalismo da Metodista, que está elaborando uma matéria que tenta entender como os blogs se relacionam com o jornalismo.

Minha monografia de pós-graduação é sobre esse assunto, mas tentei trazer algumas informações e questionamentos novos, que na época eu não tinha, principalmente porque estou cada dia mais envolvido com as novas mídias digitais, e essa mudança no comportamento do consumidor e cidadão. Segue abaixo a entrevista na íntegra.

Pergunta: A minha primeira pergunta é: se existem ou não blogs jornalísticos? Se sim, como eles são feitos, que regras eles seguem, que padrão de comportamento eles usam? E qualquer pessoa pode fazer um blog jornalístico?

Paulo Milreu: Temos que compreender que lidamos com novos formatos em um ambiente totalmente novo, e por isso muitos modelos tem sido testados e estão sendo avaliados pela própria comunidade de internautas.

O que torna os cidadãos internautas “pretensos jornalistas” é a facilidade de acesso a tecnologia e a mudança cultural e sociológica. A nova geração vive num mundo mais colaborativo e sem os paradigmas da geração anterior quanto à privacidade e preservação da imagem.

A convergência dos dispositivos e tecnologia mais barata na mão dos cidadãos potencializa sua capacidade de comunicação. Mas isso não é jornalismo. A prática do jornalismo demanda habilidades de checagem da veracidade da notícia, busca de outras opiniões e fontes, e a construção de um texto que responda as principais perguntas dessa notícia.

Sendo mais objetivo, sim, existem blogs jornalísticos. Eles são feitos atendendo os quesitos da prática de jornalismo, mas num ambiente com poucas ou nenhuma regra e numa linguagem mais informal, dinâmica e prática.

E, qualquer pessoa pode fazer um blog. Daí a considerar que ele é jornalístico ou não é uma questão de avaliação.

Pergunta: Um blogueiro pode fazer uma cobertura de evento ou de um fato com a mesma neutralidade de uma mídia tradicional? E a qualidade de conteúdo, é a mesma?

Paulo Milreu: Um blogueiro pode e deve cobrir um evento ou um fato, se esse for o objetivo do seu blog. Mas essa pergunta considera que a mídia tradicional, o veículo corporativo, pode ser mais neutro que a “pessoa blogueiro”? 

A reputação de um blogueiro é construída pela sua história na blogosfera, onde ele é avaliado por qualquer internauta em todas as interações que essa própria mídia oferece: comentários em seus posts, comentários sobre ele em outros blogs, discussões em comunidades virtuais e fóruns. Sua neutralidade ou não é exposta de forma muito rápida, e ficará fácil averiguar. Podemos também considerar que a mídia tradicional é avaliada pela mídia online da mesma forma, e hoje temos os resultados desse processo repercutindo e mudando o modelo de comunicação.

Da mesma forma podemos ter conteúdo de qualidade ou não, desenvolvidos por grandes especialistas em suas áreas e que desenvolveram também a habilidade de comunicação. Hoje blogs de tecnologia são mais lidos e respeitados que publicações tradicionais impressas.

Pergunta: Os blogs podem ocupar o espaço de veículos de comunicação ou eles conquistaram o seu próprio espaço?

Paulo Milreu: Sem dúvida eles conquistaram o seu próprio espaço, com um público bem segmentado. A grande questão é por quanto tempo a mídia tradicional se sustentará sem inovação de formato, pois o seu espaço, seu público cativo, está diminuindo.

Pergunta: Como um blog ganha credibilidade? Como ele faz para que as pessoas passam a olhar o que ele escreve com os mesmos olhos que um veículo tradicional, ou isso não é possível?

Paulo Milreu: A credibilidade de um blog é construída pelo conteúdo que gera, pelo relacionamento que desenvolve e pela interatividade que cria no seu espaço e em toda a blogosfera.

E, nunca as pessoas irão olhar um blog da mesma forma que olham um veículo tradicional. E isso não é ruim, isso é bom. Um blog é um novo formato, uma mídia diferenciada, dentro de uma plataforma de comunicação chamada internet, dinâmica e nova, e que tem demandas completamente diferentes dos veículos já estabelecidos. O público é diferente, tem hábitos diferentes e as novas gerações já olham os veículos tradicionais como ultrapassados.

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Palestra sobre Novas Mídias Digitais em São Manuel, na FMR

Na quinta-feira passada, dia 09 de outubro, estive em São Manuel apresentando a palestra “O impacto das novas mídias digitais no comportamento do consumidor”, para 350 alunos e professores dos cursos de Administração, Sistemas de Informação e Gestão de Recursos Humanos, da Faculdade Marechal Rondon - FMR.

Eu encerrei a 8a. Semana de Administração, 5a. Semana Sistemas da Informação e 4a. Semana de Gestão de Recursos Humanos, que aconteceram simultâneamente, e portanto atualizei a palestra (como sempre faço) e direcionei também para as mudanças de comportamento dos “funcionários” nas empresas “bacanérrimas” (parafraseando o palestrante Waldez Ludwig) como Google, Yahoo, entre outras.

Algumas fotos da palestra:

Veja algumas fotos do evento.

Apesar do tema da palestra sempre ser o mesmo, pois é um assunto muito dinâmico e atual, o conteúdo muda a cada palestra, pois atualizo com os últimos acontecimentos e eventos sobre mídias digitais que ocorrem no Brasil e no mundo, tendo eu participado ou não. No próximo dia 25 acontecerá o iMasters InterCon 2008 e eu estarei lá. Com certeza voltarei com muitas discussões quentes para complementar a palestra.

Os slides da palestra já estão disponíveis, pode “baixar” ou apenas assistir online.

O que disseram algumas pessoas que assistiram a palestra:

“A palestra de Paulo Milreu atendeu muito bem às expectativas da faculdade e do evento. O tema veio ao encontro da iniciativa da faculdade, que tem hoje a educação presencial interativa, através de aulas no sistema EAD também para os primeiros anos, utilizando o avanço tecnológico a favor da educação”.
Prof. Geraldo Galendi Júnior, Coordenador da FMR - Faculdades Marechal Rondon

“Por eu trabalhar na área, me senti muito à vontade. Palestras como essa, são ótimas para o aprendizado de nós alunos. Percebi que a maioria nunca ouviu quase nada do que foi apresentado, como por exemplo o Twitter.”
Marco Magnoni - Consciência Consultoria & Sistemas, aluno da FMR

“Gostei muito. Acho que a palestra é bem atual e dinâmica. Tudo que foi mostrado é imprescindível, não só para os alunos, mas para todos que buscam conhecer essas novas mídias digitais.”
Profa. Priscila Guerra - FMR - Faculdade Marechal Rondon

Veja outros depoimentos aqui.

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Custos, da criação à produção. Excelente vídeo apresentado no IV Congresso Brasileiro de Publicidade.

Parece que o filme foi criado pela Bullet. E foi apresentado no IV Congresso Brasileiro de Publicidade, que aconteceu de 14 a 16 julho em São Paulo, após exatos 30 anos do III congresso. Acreditem se quiser.

Como um setor tão importante e dinâmico permaneceu tanto tempo sem grandes discussões? O que os moveu a finalmente realizarem a 4a. edição do congresso?

Bom, reflexões a parte, o vídeo é excelente. Dá uma olhada.

Ele traz uma lógica e argumentações excelentes para convencermos o cliente do investimento que ele faz em publicidade, construção de marca, e o retorno que pode ter (e deve ter, pois é investimento e não despesa).

Citando parte do vídeo: “Estas peças tem a responsabilidade de construir o DNA da marca, de construir uma personalidade e de fazer que todo o investimento de centenas de milhões de dólares gerem valor à marca.”

Mas, convenhamos… vamos adaptar à uma realidade mais ampla? Porque falar em 1 milhão de dólares foge totalmente a grande realidade brasileira, e se restringe à campanhas de poucos clientes.

Segundo o Sebrae/SP, as micro e pequenas empresas (MPEs) no Brasil respondem por 98% das empresas, 67% das ocupações e 20% do PIB. Que tal falarmos em “reais” e não “dólares”, e algo próximo de uns 20% desse valor?

(E ainda considerando que as MPEs desconhecem as novas mídias digitais, um investimento baixo para sua realidade)

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